Raiva. Rancor. Tristeza. Indignação. Tremedeira de nervosismo. Presa num cubo, aonde estava tudo isso junto. Choro e desespero principalmente. Achava o cúmulo, uma falta de respeito com si mesmo e as pessoas envolvidas, aquilo que estava acontecendo. Que tipo de pessoa, com 4 décadas de vivência pensava como uma pré-adolescente, com sonhos reais e irreais? Achando que tudo seria como ele queria? Tudo se resolvendo como mágica? As coisas não eram mais assim, e nunca deviam ser.
Dois filhos quase adultos pra criar, que da infância até hoje, só tiveram a importância para a mãe e avó. Elas moviam barreiras, muros, e as coisas mais difíceis para o bem daquelas duas criaturas com tanto pra viver, que não mereciam tanto sofrimento. Pai? Só na hora de fazer as crianças. Porque pai que é pai, é aquele que cria, tá presente, ama  mostrando, não dizendo eu te amo, porque dizer eu te amo, qualquer um consegue — , move barreiras, trabalha duro, quer saber o que acontece, confia e pode ser confiável. Não é para ser assustador, ter a imagem de um monstro na mente deles. Era pra fazer parte da família.
Parte do apoio. Todo o tipo do apoio. Sem deixar seus filhos se trancarem no quarto de medo. Arcar com as consequências e responsabilidades. Ser um exemplo, pelo menos, de pai exemplar.
A filha queria ser responsável, independente. Ter seu próprio emprego, estudar bastante. Pagar sua faculdade, suas contas. Não depender de ninguém e ter o direito de dizer o que ela pode ou não fazer, por ser responsável por ela mesma mais do que o pai dela seria. Queria pegar o telefone, e ligar para seu pai, só pra mostrar aonde chegou. Com a mão na massa, com seu próprio esforço. Jogar na cara, que qualquer um consegue e pode conseguir. E ela conseguiu, e mais do que se estivesse dependendo dele. Era uma menina esforçada, corria atrás do que queria. E fazia questão de ser só ela e ela. Não precisava da presença de mais ninguém, a não da sua mãe, obviamente. Uma das suas únicas confidentes, melhor amiga. Que só de pensar em perdê-la um dia, lágrimas caem pelo seu rosto.
Queria uma mudança. Mas sabia que naquela idade, não tinha mais jeito. Não havia como mudá-lo. Ela teria de mudar quanto à isso. Indo a luta como queria. Segurar o choro. E se precisasse chorar. Chorasse só a noite com o seu travesseiro, a consolando. O resto do dia, do tempo, subisse no salto, fingindo. "Nada de mal está acontecendo", até algo começar acontecer, algo de bom. E só reinar o sorriso, dentro de tanto suor, para conseguir a felicidade de ser independente e conseguir o que quer. Ela nunca faria com seus filhos, o que seu pai fez com ela, por mais que isso possa fortalecer.


Um Comentário

  1. Muitas pessoas podem obter o medo de outras mas nem sempre o respeito delas, o seus texto, como sempre muito bem escrito, mostra que nao importa quem seja, se nao tem respeito nao adianta, e adoro ver esse seu lado forte e seu jeito de manter a cabeça erguida, adorei seu texto, estava com muita saudade e como ja havia lhe prometido, escrevi o comentario que te devo faz tempo.
    Lucas
    ps
    continue sempre assim, pq eu sei o quanto vc eh forte e as metades dascoisas que vc passa, e isso ja eh suficiente pra saber quevc realmete aguenta mto

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