Se perdia e achava a cada minuto e a cada segundo da sua vida. Achando que a vida fosse longa o suficiente pra perder tempo fazendo isso. Via uma coisa que a agradava, e logo se achava. Mas era só ver uma pedra no caminho, por mais pequena que fosse, que já se perdia novamente. Não achava digno de luta e nada mais, simplesmente desistia. E jogava toda sua raiva e perdição nas pessoas que a mais amavam. Fazia planejamentos por uma vida inteira e na ultima hora, jogava tudo no lixo. Era a vida de Milena.
Tinha potencial para tudo, como todos. Aliás, tinha mais chances. Era bonita, inteligente, criativa e tinha condições para bancar seus sonhos. O grande problema era que não acreditava em nada disso, não acreditava na sua própria beleza e vivia xingando e tendo vergonha de seu corpo. E sua inteligencia, fazia questão de compará-la com a de qualquer um que tinha se esforçado mais. Ela não se esforçava. Se fazia de vítima, o tempo todo. E nem tente falar sobre a sua riqueza perto dela, porque vai repetir mais e mais vezes que não tem condições e está cheia de problemas. Sem olhar ao redor. Afinal, que tipo de problema era esse com casa grande, escola paga, faculdade paga, ser mimada, ter comida na mesa, banho, onde dormir, ter uma boa saúde, roupa e seus pais ainda darem coisas materiais como presente? Como um carro?
Nunca precisou colocar a mão na massa. É, trabalhar. E se quisesse, seus pais faziam questão que não. Não houve nada que a fizesse dar valor a tantas coisas. Só a vida reclamando pelos cantos. E se não reclamasse, seria questão de minutos, até se lembrar de como a vida dela era ruim. Mas que falta de sensibilidade não é? Deve ter algo de ruim na vida dela. Ah, sim, de repente ela é assim por causa de seus pais. Pobre Lúcia, seus pais trabalhavam que nem escravos sem necessidade, como se fugissem de suas responsabilidades de pais e deixá-la se criar sozinha, sem princípios maternos/paternos e sem exemplos. Chegavam em casa tarde e saíam de lá cedo. E quando falavam com sua filha, era revolta em seus corações, brigas e mais brigas e nada de ouvir. Só queriam impor o seu poder de pais. Mas que poder afinal, se não tinha esse papel? Era uma vida estranha, uma vida esquisita a que ela tinha.
Por mais que queria sair de lá, reclamava, reclamava e reclamava. Tudo era um problema. Porque não procurava terapia essa pobre menina? Se achava superior demais para isso. Não queria estar presa ao seus pais, mas sabe que no fundo, não sobreviveria um segundo sem eles. Sem sugar a energia, o dinheiro. E o carinho, acabava sendo, o que menos importava. As futilidades estavam em alta. Do mesmo jeito, que na sua casa, quase não se via educação e respeito. Pareciam animais em sua selva.


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