Demorariam para se ver pessoalmente. Haviam planejado vários encontros, foram falhando, assim, conseguindo realmente confirmar um, porém quase no meio do ano. Sonhavam tanto com aquele dia, seriam apenas três dias juntos. Mas para eles soava como um paraíso. Ela, tinha insônia todas as noites pensando nele e no esperado dia. Ele, sempre que conversava com Fernanda, lembrava como seria mágico o encontro que os esperava. A mesma reação ao pensar no encontro e um no outro: Um sorriso de orelha a orelha, batimentos cardíacos acelerados e olhos brilhantes.
Queriam estar um no braço do outro, abraçados e rindo naquela noite maravilhosa e fria. Embaixo das cobertas, usando o calor humano, o sentimento que sentiam pra se esquentar. Era complicado, era difícil. Tinham que saber superar a situação juntos, serem fortes, ainda mais com a saudade e a vontade de pegar uma bicicleta e sair com ela para ver então um ao outro. Ele dizia coisas como "As meninas daqui não chegam nem aos seus pés, você é linda, linda mesmo, demais", "Olha como a vida é injusta comigo, enquanto têm essas meninas aqui, eu tenho a menina mais linda  em outro estado, complicado". E ela respondia com uma risada, super envergonhada, vermelha de vergonha, coisas como "Quem é a menina mais bonita?" talvez só pra ouvi-lo dizer "É você".
Rafael chegava em casa de suas saídas com os amigos, ao qual às vezes, chegava um pouco alterado por causa do álcool.

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Rebecca queria saber como era se apaixonar de verdade depois de tanto tempo em conserva. Mas era uma paixão real, com desejo, sem frescuras e padrões da sociedade. Era uma coisa diferente e forte. Haviam barreiras maiores do que se imaginava. Como também haviam fronteiras entre eles. O que deixava tudo mais  difícil. Porém, havia aquela adrenalina, aquela vontade de se ver. Expectativa de ver o outro, de abraçar, de conhecer lugares juntos e as suas terras natal. Sem contar com os planejamentos que faziam de quando se vissem e ficassem propriamente juntos, podia parecer um sonho, mas para aquele casal parecia que uma hora ia funcionar.
Além daquela paixão havia uma amizade e uma paixão passada de cerca de quatro anos. Um tempo sem se falar, um rumo diferente, mas sempre se reencontravam e voltavam a se falar. Rebecca as vezes tinha medo de tudo isso, como se fosse loucura da sua cabeça e tudo aquilo não existisse. Era esquisito, uma pessoa que está tão longe saber tanto, entendê-la tanto e aceitá-la. Do mesmo jeito que elogiava seus pontos fortes e fracos também, e dizia coisas que outro alguém jamais fez. Se sentia bem como nunca, mesmo com ele longe, a quilômetros de distância. Parecia impossível, mas para ela era.
Sentia calor em seu corpo todo ao falar com ele, ao pensar nele. Borboletas no estômago, sorrisos bobos de um lado para o outro, e se perguntava se aquilo estava certo. Fechava os olhos e imaginava o encontro dos dois, mais belo do que nunca. Imaginava o seu sorriso, seu olhar, sua mão encontrando com a dela, seus lábios se encostando.

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Saudade do ensino fundamental com seus amigos e brincadeiras o tempo todo. Do ensino médio aonde tinha a sala mais chata, mas tudo parecia ser tão mais fácil. Saudade de infância e da adolescência, que dela pouca restava. De abraçar ou ter amigos sem te julgarem. O que ainda estava por vir e não veio. Planejamentos que falharam, ou supostamente fizeram isso. Principalmente a falta e a saudade de não ter que pensar tanto antes de agir, ou ter tanto orgulho pra agir os que seus próprios impulsos diziam para fazer. Podia dizer sentir falta da inspiração e de desenhar, mas de tempos em tempos as duas davam um sinal de vida em sua vida. Mas sentia falta do perfeccionismo, do seu talento à tona e sua batalha para conseguir, apesar de odiar amar o perfeccionismo.
Saudade de pessoas, de momentos e até de mudanças. Pessoas da família e atitudes delas, principalmente de sua mãe. De amigos que já se foram, por não serem mais os mesmos. Especialmente aquelas pessoas que não esquecemos tão facilmente, um amor de verão ou de inverno, um namoro prolongado ou curto, ou até algo que estava para começar com todos aqueles sentidos esquisitos. Sentidos esquisitos que também sentia falta, tremedeira, coração acelerado, e até ciúmes que tinha pouco. Saudade do que poderia acontecer se escolhesse um caminho invés do outro e vice-versa. Do cabelo grande e até um pouco da confiança que parecia uma montanha russa. Ah, da animação, diversão, e falta de vergonha na cara também.
Não sentia falta do calor no corpo de paixão

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Letícia já ouvira muitas pessoas dizerem que todos têm um propósito/missão na vida. Mas quem inventou que necessariamente seria algo bom? Poderia haver missões maléficas. Como a de seu próprio pai, Marcello. Se dizia "de Deus", "da paz", "zen", mas se demonstrava do Belzebu, como se estivesse possuído, e sua missão? Acabar com a vida das pessoas, destruir tudo que há de alegre e esperançoso. Todos fugiam dele e o temiam. Ela o enfrentava, jogava seus erros em sua cara, tinha as armas certas, mas ainda assim, os que o temiam a censuravam a usá-las.
Marcello era aceito, por medo. O seu coração, isso é se tiver um, era o mais obscuro e breu que se possa imaginar. Sabia a fraqueza dos humanos, a maior, o choro de uma pessoa. Se fingia de bonzinho e vítima, logo após acabar com mais uma vida da sua lista. O sonho de Letícia era acabar com esse inferno com suas próprias mãos, tinha mil planos em sua mente extraordinária, em como por prática, mas lá vinha a censura novamente.
Ela e todos tinham certeza que em seu enterro, de Marcello, não haveria uma alma viva pra chorar, representar algum amor por ele e muito menos sentir saudade. Alguns podiam ir, mas para comemorar que finalmente aconteceu e transformar aquele enterro numa festa. Tétrico, mas estariam comemorando pela paz que conquistaram sem ele.


Ela sonhava com um mundo em quê as pessoas fossem corretas. Ele, incorretas. Ela, perfeccionista. Ele, anhm, lixista? Ela queria fazer a diferença, enquanto ele queria ser só mais um seguindo padrões da sociedade.  Nicole, não queria escrever sobre ele, não merecia, imaturo que se achava adulto pela idade, sempre elogiada pela idade cerebral avançada, sem contar que havia estudos científicos provando o atraso da idade mental dos homens, que Maurício provava aquilo com todas as letras. O certo dele, era o errado dela e vice-versa. Brigavam igual cão e gato, quem diria que um dia quase foram um casal sem se matar.
Os dois tinham algo em comum, odiavam os padrões da sociedade, mas só um seguia esse conceito a risca. Óbvio, Nicole. Ela pensava diferente. Se todos se fazem de burro por dizerem que inteligente é ser exibicionista, me exibirei para sempre. Pensava com todo orgulho. Enquanto Maurício, dizia como se tivesse ocasião certa pra ser burro e inteligente. Confuso, estúpido e ignorante. Como as pessoas que nem a Nicole pensariam.

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Depois de muito tempo sem desenhar, enfim voltei a demonstrar meu dom e minha criatividade. E descobri algo que gosto igual ou mais do que sorrisos. Ah, os olhos, o olhar. Era e sempre foi inconsciente na minha mente. A partir do momento em que comecei a desenhar, prezava pelos olhos. Passava horas com meu doce perfeccionismo os deixando reais e com emoções suficientes, ao desenhar um rosto. O tempo se passava e a minha adoração por olhos continuava mais forte. Agora, desenhava um olho ou olhar, somente, no infinito do papel. Mas por quê? Por que o meu inconsciente pensava assim?
Sempre que uma emoção estava transbordando de mim, lá estava eu desenhando um olhar com essa emoção. Um olhar apaixonado. Um olhar solitário nesse mundo tão grande. Um olhar amedrontado pelo futuro ou passado. Um olhar triste pela guerra, sofrimento ou até pelos próprios pensamentos. Era como se ao olhar naqueles olhos, neles sim, eu poderia confiar. Contar as minhas angústias, medos, traumas; Meus segredos, minhas alegrias e paixões. Era sincero todo o tempo, mesmo sendo só um simples desenho para alguns. Os olhos  são a janela da alma, a porta para uma paixão e todos seus sentimentos. Ao olhar neles, não há escapatória das mentiras.
Os próprios sentimentos não aguentam ficar aprisionados ao corpo e coração e tentam escapar pelos olhos. Revelando então a identidade mais secreta que há dentro de uma pessoa. Arrepiando-se dos pés a cabeça no momento da fuga de seus sentimentos pelos olhos... Chamado lágrima.


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