quinta-feira, 25 de julho de 2013

Viciada no amor.


Amar é uma droga. A droga mais viciante e cativante de todas. Samanta era claramente viciada e assumida como tal, não precisava de drogados anônimos ou coisa assim, porque nem anônima era e aquela droga, era uma droga diferente, tão difícil de largar. Tivera uma overdose tão dolorosa, já tivera antes no passado, em que o coma durou muito mais tempo, mas o sofrimento... Ah, nem se compara. Aquela overdose, agora, era diferente, o coma durara dois meses, sem contar a depressão pré e pós overdose. Logo, tentou várias técnicas para melhorar, pensou estar bem.
Quando menos esperava, o pior aconteceu... O válvula de escape para essa droga, o motivo, ressurgiu. Ah, merda! Tudo estava dando tão certo sem ele. E os sintomas da doce abstinência começaram a aparecer, sua mente pensar, pensar e imaginar. Imaginar cenas, o passado delicioso com aquela droga em seus lábios, passando em seu sangue e lhe deixando mais quente e feliz. O seu coração pulsando mais e mais rápido, o sorriso aberto que há muito tempo não mostrava a ninguém, parecia sentir que realmente tinha um coração. As sensações que lhe deixavam ansiosa, suando quente, suando frio. Ah, como desejava aquela droga...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Procrastinação Invernal

Piper era apaixonada pelo clima de inverno. Todos usando roupas estilosas e pesadas, casacões, sobretudos, botas, gorros e boinas, cachecóis e alguns com vestidos, meia-calça e casacões. Era como um desfile de pura inspiração e miscigenação pelas ruas.
A alegria dos casais, abraçados, dispostos a se esquentar com o calor humano. Fumaça saía de suas bocas, esfregavam a mão que estavam no bolso ou segurando um copo de chocolate quente. As crianças eram as que mais se divertiam, empacotadas de tanta roupa de frio, gorros e luvas, se divertiam nas montanhas de neves e anjo na neve. 
Ela se considerava uma criança, apesar de duas décadas e meia em suas costas. Adorava neve, guerra de neve, brincar com as crianças e observar os desfiles gratuitos à sua volta. Mas tinha dias de inverno, tão intensos que se sentia uma senhora idosa que precisava de cuidados. Que ao acordar e abrir as persianas do quarto lhe dava tristeza ao ver tanta neve e frio. Inventava uma doença comum em dias frios para faltar ao trabalho, se enrolava mais ainda em seu edredom e passava o dia com seu pijama de flanela listrado. Só ia na cozinha para fazer seu chocolate quente, a comida era por conta do delivery. E quando lhe batia inspiração, trabalhava em suas artes, enrolada em seu cobertor. Ah! Doce inverno...

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Trágica vida de uma mente conturbada.


Desejava a morte. O que tocava, morria. Todos e tudo em sua volta virava morte. Talvez a própria dona morte tinha medo e pena daquela pobre menina. Sua família fora extinta por ela mesma. Era uma típica relação de amor e ódio, até o amor morrer, o que foi breve, bastou um leve suspiro antes da morte do amor. Junto do amor foram aqueles requisitos básicos para se tornar família, como o carinho, cumplicidade, apoio e conversa. Qualquer vínculo ou relação familiar foi-se também. Ah!sem contar suas crise alternadas de nervosismo, insegurança e depressão. O passado ainda não morrera de sua mente conturbada. "sua vida é ótima", hahaha, queria ela acreditar em tal mentira absoluta.
Matou todo possível relacionamento amoroso, asfixiou, estrangulou, esfaqueou e assassinou qualquer vestígio de amor ou relacionamento, que nunca durara mais que alguns meses, e seu vazio ficava cada vez mais profundo e doloroso a cada toque e nova ferida. Nem cinzas ou ossos de amizade sobravam de mortes tão brutais, aos poucos ia matando amizade por amizade. Matou a confiança e qualquer gota dela para ajudar nessa jornada de "ceifadora" ( ou sofredora) e as amizades foram jogadas da janela do oitavo andar e da escada do décimo terceiro, algumas entravam em coma, outras morte súbita, mas todas morriam no final das contas.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Em dias frios...


Tinha medo de amar, amou e teve fobia. Tinha medo de se apaixonar, apaixonou e se traumatizou. Não entendia muito bem o que era esse tal de "amor" e "paixão", tinham tantas variáveis e tipos. Para ela, inclusive, uns eram mentira, como "amor incondicional", "amar para sempre". Teve medo do desconhecido e mais por conhecer. Amor e paixão só lhe davam dor de cabeça, noite mal dormidas e aquele aperto no coração de borbulhão de sentimentos. Do começo ao fim, do pior ao pior. Deixava o coração aberto para sair despedaçado. Não havia superado tanta negação. não! nÃo!Não! NÃo! NÃO! NÃO!

"Ah, cansei, vou amar meu cobertor, chocolate, sorvete e livro, se amor virar meu amigo, quem sabe"

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Exímia artista-leitora.

Alice tinha deixado de lado a arte de escrever. Pois a arte de amar estava extinta em seu pobre coração. Só restavam lágrimas e não queria falar de amor relacionado a tristeza, apesar de ter acreditado nisso nesse tempo sem escrever. Necessitava acreditar no amor, em si e suas capacidades.
Nessa isolação, nesse próprio exílio virava uma leitora mais exímia ainda. Devorado livros e mais livros de uma vez só. Ajudou na cura de seu coração estraçalhado e triste. Lera tanto que percebeu que a leitura é mais interessante que a realidade, os personagens eram tão vivos, cheios de personalidade, cultos, artísticos, únicos com seus defeitos-qualidades, que os personagens de sua vida ficaram entediantes e sem graça.
Sempre o mesmo drama parental, sem motivo. Não havia novidades, aventuras. Era a mesma rotina, em que todos os personagens pareciam iguais, idênticos, até mesmo seus dramas. Cansada desses personagens decidiu escrever sua própria aventura, história e futuro, e se ainda restasse algum personagem interessante, que a seguisse rumo ao futuro.
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