quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

(Des)Amor.

Esquizofrênica. Surtada. Psicótica. Louca. Agia sem pensar. Não tinha conserto. Todos a aceitavam no primeiro momento com o seu jeito doce e tímido. Passo a passo iam julgando e pegando ferramentas para o conserto. O julgamento era tão duro e severo que metade dos problemas que acreditava ter, as pessoas impuseram a ela. Apontaram o dedo dizendo que era louca, surtada, tinha problemas psicológicos sérios, que precisava de ajuda.
É a catástrofe da sociedade, Stéh aceitava todos com seus defeitos perfeitos. Afinal, não sabia suas histórias, traumas, abusos, machucados, medos. Tudo tem efeito neles. Mas por que o contrário não acontecia? As pessoas olhavam com descaso e julgamento, como se fossem perfeitas, robôs... Todos sabiam que não, escondiam seus piores podres dentro de si.
Ela tinha um rapaz que amava muito, mas às vezes acreditava não ser o bastante. O amar por amar é tão lindo, mas tão difícil de vir para uma realidade, ainda mais contemporânea como esta. Ele, tinha os mesmos "problemas", ou um tanto quanto Stéh, ele era o normal, ela a anormal. Achava bom, cativante e até inspirador ele se achar normal, de fato ele era, todos somos, mas por quê ele era e ela... Não? Renato parecia respirar hipocrisia, toneladas e toneladas que não há ciência que explique como não morrera sufocado ainda. Não era oxigênio, nem 0,01%, era hipocrisia pura, da pior qualidade, se é que tem boa qualidade, não é? Um amor daquele machucava mais do que qualquer pedrada e julgamento da sociedade.
Tic tac tic tac... O tempo corre. Até quando?

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cobra means ...

Estava procurando imóveis na internet, com uma pressa incrível. Não era bem pra ela, era para o seu amor, Steve. Ah! No começo do amor, do namoro... A sua sogra parecia um doce, tão doce a ponto de ser enjoativo, doce ilusão. Com o tempo as pessoas aparecem, se mostram como são. E ela, não era nada boa. Tinha certas "qualidades" que não eram lá qualidades. Certas características que não faziam bem. Era uma mania de superioridade, de poder e de verdade. A dona da verdade, a fanática religiosa, sabe, daquelas que vê jesus na torrada? Pois é, chega a ser ridículo, mas ela não enxergava o quão ridículo era. Veruska só enxergava os próprios atos, com o dedo apontado, ia e apontava pra cada um, cada defeito que ela via... Que nem sempre - ou a maioria das vezes - nem era defeito, a não ser em seus olhos. 
Sunny nunca entendera aquelas garotas que diziam que suas respectivas sogras eram cobras, ou as mais terríveis bruxas. Nunca teve esse problema. Aliás, não era pra ter ainda, sua sogra a amava. Ela a odiava tanto tanto tanto, que era imensurável. Era pelo fato de ser ignorante e não dar valor ao próprio filho, destruí-lo perto dela. Quase contagiante. Quase como que uma doença a sua maneira. As vezes chorava pelos cantos de pena de seu namorado. Que pessoa aguenta vinte e dois anos com uma mesma bruxa?
Veruska, por que ? Por que faz isso? Joga seus problemas e seus desejos não realizados no seu filho? Ele não pode realizar seus próprios sonhos? Não pode apoiá-lo? Acreditar nele uma única vez? Só faz o papel de mãe com o filho mais velho babaca? O filho mais velho preguiçoso? Olhe ao seu redor, e veja quem merece o quê. Sua nora, não quer mais te ver, te ouvir, e cansou de tentar. Sua doçura é falsa. Tão falsa como um chocolate amargo.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Rotina de uma depressiva.

Madrugada. Sms com notícias ruins. Dorme chorando. Travesseiro manchado de tanta água. Pesadelo. Sonho. Pesadelo. Sonho. Pesadelo. Acorda. 8 da manhã. Volta a dormir. 10 da manhã. Manda sms pro namorado. Meia hora depois, tenta de novo. E de novo. E de novo. Desiste. Vai desenhar. Desenha. Apaga. Desenha. Apaga. Risco forte. Apaga. Fica marcado. Apaga. Desenha. Amassa. Rasga. Joga fora. Atende o telefone. Engano. Atende de novo. Sua mãe. Briga. Briga. Choro. Choro. Estresse. Liga pro namorado. Não atende. Tenta de novo. Caixa postal. Sms. Sms. Sms. Nada. Chora. Chora. Estressa. Cansa de tudo. Pessimismo. Pessimismo. Pessimismo. Crise nervosa. Fazer salada. Raiva. Não consegue descascar o pepino. Fica ruim. Raiva. Não presta pra nada. Liga pro namorado. De novo. De novo. De novo. Nada. Sms. Sms. Sms. Nada. Cama. Choro. Namorado responde. Briga. Briga. Briga. Briga. Skype. Briga. Briga. Briga. Sem vontade de viver. Sem vontade de nada. Não presta. Banho. Leva estilete. Se matar. Não se matar. Se matar. Não se matar. Falta de coragem. Sentar no chão do box. Água. Água. Água. Se imagina numa cachoeira. Calmaria. Choro. Posição fetal. Água. Deita no chão do box. Água. Toma Dramin pra se acalmar. Dorme. Dorme. Dorme. Acorda. Briga. Briga. Briga. Choro. Faz o outro chorar. Ri? Mentira. Vontade de socar. Se jogar. Nada de bom passa na sua cabeça. Era um lixo tóxico mesmo.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Aquele convite de casamento.

Chegara um convite de casamento em sua casa, e dentro não havia só um simples convite bonito, com letras garrafais e douradas, continha uma carta num papel meio envelhecido e até com marcas d'água, talvez de lágrimas, em que manchavam o papel.

Chris, 
não sei se está gostando de receber esta carta, esse convite e muito menos se vai aparecer. Faz anos que não nos vemos, nos falamos, não sei se está casado, com filhos, ou está sozinho jogado num canto, se está com um trabalho promissor, se está ganhando milhões, muito menos se você se lembra de mim como eu de você. Essa carta pode não significar nada porque está feliz demais do jeito que está levando a vida agora, talvez nem lembre meu nome, talvez nem abra o convite e talvez essas palavras tão sinceras sejam jogadas no lixo.
Como eu achei o seu endereço? Ah, não foi fácil, fiz tantas pesquisas, sabe como é, consegui realizar meu sonho e sou uma estilista reconhecida... Já deve ter me visto algumas vezes na tv, e minhas roupas em algumas premiações e será que se lembrou quem eu era?Mas voltando ao assunto, tenho mil contatos que podem encontrar endereços em minutos, tudo bem que foi meio complicado explicar pra quê eu queria o endereço de um desconhecido aleatório, como eles chamam.
Você sabia que podia ser você né? É, você lá na frente do altar, você esperando ansiosamente por mim enquanto toca a música, me vendo linda com meu vestido lilás — achou que seria branco? hahaha, sou diferente, você sempre soube disso — , você com o sorriso no rosto a cada passo meu e construindo uma vida até que a morte nos separe. Aliás, podia ser você que eu já estou morando junto, você namorando há 5 anos e compartilhando meus momentos bons e ruins, afinal, você sempre gostou de cuidar de mim não é? Era tão doce os sacrifícios que fazia por mim. Podia ser você, se não fosse tão orgulhoso com os seus sentimentos, não correr atrás do que quer, deixar a vida levar, deixar a brisa soprar e te levar para longe. Por que? Por que não assumiu os seus sentimentos? Por que me fez esperar uma semana pela resposta quando te perguntei "Você por acaso estava gostando de mim?" para no momento que nos encontramos, você só queria fugir das palavras, da pergunta, na defensiva. Quando finalmente falou, disse que só gostava como amiga e só era bom me beijar, e sentir o meu corpo no seu. Seus olhos não diziam isso, a maneira como foi carinhoso também não, fora carinhoso como nunca antes.
Minha melhor amiga dissera que iria se arrepender, e você só disse "eu sei" e não fizera NADA, nada. Ainda tento entender certas palavras que andam em lados contrários de algumas atitudes, nunca me esquecerei do seu medo tão grande em se abrir que disse "gosto mas não gosto sabe?", guardo uma raiva até hoje, sempre falo dessa história com todos os amigos e todos se indignam junto comigo.
Você acha que na vida real o padre diz "Se alguém tem algo contra..." e todo blablabla de filme? E se tivesse no minimo teria coragem de se levantar? Coragem mesmo se levasse um não? Ah, faria meu dia se levantasse, independente da minha resposta. Eu acho que me aliviaria de todos esses anos pensando em tantos porquês.
Com carinho, 
Elena

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Let me in ?

Aquele garoto era tão traumatizado de relacionamentos passados, que agora vivia com um escudo protetor. As garotas impunham padrões de beleza, estética e de como agir, o tal lance do "perfeito" — mas o que elas não sabiam era que o perfeito, é questão de ponto de vista, perspectiva, cada qual tem o seu perfeito — era quase uma tortura como a inquisição, porém com machucados psicológicos. Houve sequelas, eram falta de confiança — em si, e nos que estavam ao redor —, baixa auto-estima, insegurança e problemas para se abrir.
Então Liza entrou na vida de Dante, assim, de repente. Mudara então, todos os seus conceitos e medos, quer dizer, tentava ajudá-lo com os que tinha. Dava certas sugestões de melhora, porque sabia o cara mais extraordinário ainda que tinha por trás de tantos muros, escondido dentro de si. Teve a conversa sobre mudanças, e essa resistência absurda, ele estar sempre na defensiva — o que a chateava muito —, ela dissera que só queria arrancar o melhor dele. Já havia sido tratada como intrusa ao tentar, e opinar sobre coisas simples... Perguntara o porquê do medo que ele tinha dela, daquela situação — O medo não era dela, era as sequelas do passado falando.
Dante se perdera no meio da inquisição, mudanças e mais mudanças impostas, obrigadas, quem era mesmo aquele rapaz? Ele mesmo não sabia mais, os seus gostos, preferências, e muito menos o seu melhor. Liza estava lá para ajudar, para mostrá-lo tudo isso, até soltara "Deixa eu te ajudar? Deixa eu te ajudar a se encontrar por esses caminhos difíceis? É, esses que farei de tudo para transformar em algo mais fácil", queria que ele abrisse a porta e a deixasse aberta, pois ainda sentia que só havia uma fresta ou metade da porta aberta, mas não ela por inteiro. Queria estar na vida dele como uma solução, uma ajudante, não uma intrusa que sai chutando a porta com agressividade.

Me encontra ou deixa eu te encontrar?
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