domingo, 1 de junho de 2014

Carta de uma mãe solteira.

Tenho dois filhos, o Jack e a Alice. Ela é a mais velha, está com cinco anos agora, minha xodó. Ele está com três aninhos, chama todo mundo de papai, porque ensinei a ele que só tem mamãe. Resolvi ser mãe solteira depois de ter quebrado tanto a cara. Até tentei umas duas vezes e meia, em vão, como sempre. Adotei os dois, como a gente tinha planejado como casal anos atrás. Casal que se desfez. Planos que se desfizeram também. Amor, que sempre continua no meu coração, e transfiro para meus diamantes, e minhas pedras preciosas, que são meus filhos.
Demorei uns bons anos pra conseguir adotá-los, afinal, quem vai dar crianças pra uma mãe solteira que não acredita no amor? É quase pedir para não adotar. Mas com muita força, consegui. Agora, até acredito nas suas palavras quando dizia que eu era forte, quando estava me enfraquecendo por você. Quando estava jogando toda a minha força no lixo e toda minha energia fora por você. Achava que era a solução, tão boba. O amor te deixa boba talvez. Que coisa amarga pra uma mãe de dois filhos maravilhoso né? Acho que eles são a minha fonte de alegria, sorrisos e brincadeiras diárias. Morreria e mataria por eles. Gostaria que você os conhecesse. De verdade. Não precisa fingir que vai gostar de conhece-los. Ou vir com falsos elogios para mim, depois de tantos anos. Só vê-los, falar oi, olá, dar um sorriso, se quiser, e ir embora, tá de bom tamanho.
Você seria um bom pai pra eles, tão bom com crianças. Iria rir da minha cara na primeira vacina de agulha deles. Ah, não sei de quem a enfermeira ficou com mais dó, deles ou de mim. Acho que eu tava com mais medo. Chorei, chorei demais, vendo meus bebês sendo furados, chorando, e eu tendo que segurá-los. A Alice tão teimosa, tão teimosa quanto você e eu juntos. Brava, que nem eu. Passou a semana inteira me olhando feio, e eu pedindo desculpa falando que era para o seu bem. E pra dar remédio com gosto ruim? Eu não conseguia fingir que era gostoso pra eles. Minha sinceridade sempre acabando comigo. Eu fazia cara feia falando "eca" junto com eles. E pra dar o remédio a força? Pedia ajuda pro vizinho, e me encolhia ao vê-los chorando. Muito sensível pra fazer essas coisas. Muito manhosa. Mas tô pegando o jeito, apesar de algumas coisas de ser mãe sem você, ser tão doloroso.
 E com o Jack? Não sei nada do universo dos meninos, tento jogar futebol com ele, e ele ri da minha cara, "mamãe, você não sabe nem fazer um gol!", tadinho, ainda tenta me ensinar. Mostrei o mundo dos jogos e dos desenhos legais pra ele. Ele é melhor nos jogos do que eu e você juntos. O menino é um prodígio. Conseguiu passar o tutorial do DOTA, que não consegui até hoje. Crianças, sempre muito inteligentes. Você ficaria orgulhoso, de cada passo delas. Eu ficaria orgulhosa se você estivesse do meu lado.

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