quarta-feira, 30 de julho de 2014

It's only karma.

Era karma. Destino. Ou até mesmo sem saber. Mas seguia sempre a mesma linha. Mesmo raciocínio e características. Chega a ser engraçado ou surpreendente. Menos no nome que se repetia. Que alívio não é? Senão a estranheza seria maior ainda. Mas eram tantas coincidências. E não era procurada. Não revirava lugares, destinos, pessoas e pensamentos pra isso. O destino colocava lá, assim e já.
Todos gostavam de baixinhas e seus atributos. Para a sorte dela, talvez. Amavam seu sorriso desde a primeira vez. Porém, vamos ao seu karma. Era medo de borboleta. Medo de palhaço também. O roer das unhas. Olhos claros. Caninos pontudos. Cabelo claro. Um quê de músico. Seja com canto, violão, bateria ou todos esses juntos. Gosta de ler. Se interessa por desenho, arte. Um quê de gamer também entrou nessa lista. Entendem de política, ou quase todos. Nem um pouco fanáticos religiosos, sem religião praticamente. Mais velhos. A maioria, já fumou. A maioria parou de fumar por Ruth. Sorrisos conquistadores. Sentiam cócegas. Há um ou outro que desandavam de alguns pontos cruciais desta lista. Mas era tanto karma que ela até esquecia. Ruth não procurava por isso, inclusive, se procurasse não daria tão certo. Cada detalhe, um atrás do outro, em pessoas diferentes e pessoas que aparecem e reaparecem em sua vida. Era bom saber que a vida fazia com que trombasse assim sem querer, risse, se divertisse e quem sabe um dia até amasse pessoas com quem ela já desejava sem ao menos saber. Já estava no subconsciente. Não perguntava o nome, idade, onde morava ou nada que desse uma pista dos karmas, mas lá estavam eles a acompanhando passo a passo. 
Tão simplório, leve e de mãos dadas ao destino. Abraçada talvez até com destino. Era de dar aquele sorriso de canto tão fofo e apaixonante.

domingo, 27 de julho de 2014

Conquiste-a

Sabe, fofura conquista. Não se sinta ofendido quando uma mulher te chamar assim, é um puta de um elogio. Melhor do que qualquer um puramente físico. Melhor do que te chamar de gato, gostoso ou algo relacionado à aparência. Se algumas pessoas soubessem o poder que a fofura possui e o que faz com o redor do mundo se sentiriam super heróis. Heróis da alegria, do sorriso, do amor. Da leveza, principalmente. Um "quero dormir abraçado com você nesse frio" vale muito mais do que palavras safadas ou tentativas fracas e clichês de conquista. "Vamos num parque" "Ao cinema" ou até anda na rua sem rumo é muito mais carinhoso e conquistador do que tentar levar para a sua casa, chamar para beber, ou querer levar para um motel.
Aprendam, de uma vez por todas. Ser safado não ganha de ter respeito. Não ganha de ser carinhoso e muito menos dos detalhes. É, aqueles detalhes de quando você olha para o rosto dela. O que aquela boca tão carnuda, o sorriso, seus olhos sinceros fazem com você. E como são lindos, não é? Pode elogiá-los, dessa maneira. Quando ela fala, e sorri, fica vermelha de vergonha... Vai me dizer que a sua vontade não é de abraçá-la e não sair de perto nunca? A partida dói e quer congelar aquele momento. Isso sim é conquista. Talvez não conquiste a sua futura esposa, a mãe dos seus filhos, pode ser uma namorada por hora... Pode ser sua melhor amiga, ou só amiga. Mas o ato do amor é o mais conquistador de todos, independente de onde seja colocado.

sábado, 26 de julho de 2014

(Re)feita Lis.

Seus amigos não a reconheciam antes. E não a reconheciam agora. Foram dois extremos muito fortes. Antes, acho que nem Lisbeth se reconheceria. Porém, antes ela estava sendo aquela garota que desprezava, ria da cara e gostaria de ser amiga para dar conselhos que preste à ela. Apresentar a vida. Mostrar que a vida não era assim. Estava surtada. Sem pensar. Com raiva. Submissa talvez. Agindo de maneira desnecessária. Sem ouvir os amigos, se complicando mais ainda e caindo a cada tropeço. Acontece. Mas com ela era quase inadmissível.
Agora, bateram palmas para ela. A platéia inteira. De pé. Com gritos de alegria. Com abraços fortes. Com orgulho. Voltara a ser Lis de sempre. Com sua personalidade forte. Sua animação. O seu foda-se. Sai a noite. Sai a tarde. Sai de manhã. Vai com quem quiser, e volta a hora que quiser. Não se importa com a opinião de ninguém. Uma garota e tanto. Desejável até certo ponto. Mas estava feliz, como nunca. Cantarolando pelos cantos. Rindo de tudo. Falando alto um monte de besteira na rua. Leve. Uma leveza quase uma pluma na vida dela. Alguns diziam, a preferir assim. Outros, nunca a tinham visto dessa maneira. Uns desconfiavam. Poucos acertaram. Mas os que já conheciam há muito tempo, já tinham a visto assim. E era o seu melhor ser. Sua melhor parte. Será que podia melhorar? Conseguiu passar por cima, conseguiu ser uma Pollyanna com sucesso. 
Era besta, era suspeito. Mas já estava sorrindo novamente, como se nada tivesse acontecido... Ou tivesse. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hilária cegueira.

Ah vida, sua engraçadinha. Brincando com meus altos e baixos de cada dia. Me surpreendendo quando acho que não existem mais surpresas depois de tanta coisa que se passou. Ainda mais surpresas boas. De repente. Do nada. Não tava muito a fim de acreditar naqueles clichês de coisas boas, de portas se abrirem, de novas chances. Ouvi isso a minha vida inteira. E o clichê nunca se provou verdadeiro. Até agora.
Até o momento que eu pude enxergar, depois de tanta cegueira. Dos mais leigos aos mais especialistas tentaram me curar, mas só havia cura se houvesse força de vontade da minha parte. Nem aceitava, nem acreditava nessa cegueira. Trouxe brigas, discussões e reviravoltas bem desnecessárias. E ah, como enxergar é bom. Alívio. Aprendizado. Todos tiveram sua parcela de razão.
Pude sorrir, sair. Me divertir. Mas me divertir muito. Lembrar de muita coisa. Sobrevoar nos meus pensamentos sem topar com uma cegueira que machuca. Gostar do destino em um dia, logo após dizer que o odiava. O destino estava montando uma grande piada, que no fim, cá estou eu rindo junto deles. Transformando qualquer fonte de tristeza em risada. 
Porém, o destino me surpreendeu como eu nunca pude imaginar. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

It´s your turn.

Passo a bola pra você. Acho até que eu tava agindo contra as regras a segurando por tanto tempo. Vamos jogar da maneira certa. A bola é pesada. Dolorosa. Difícil de carregar. Se quiser, pode jogar no chão, num canto qualquer ou passar pra alguém com mais força. Mas aí, o jogo acaba. O jogo depende de você pra sobreviver. Você já jogou uma bola invisível no chão, eu sei. Você já se jogou no chão também. Mas estou te passando a bola com o mesmo carinho que a recebi há um bom tempo. Se tivesse passado antes, o jogo estaria equilibrado, confesso. Fui muito rebelde. Quis ganhar. Acabei perdendo. Porém você ainda pode fazer alguns pontos, se quiser. Logicamente. Não vou defender, não vou nem me mexer. Mas o jogo ainda estará difícil.
Que bola é essa? Às vezes, parece de tenis, de tão leve, suave. Ou de ping-pong leve e some. Handball porque é preciso confiança. Volei para dar os seus pulos e cortes meio secos às vezes. Basquete, bola pesada, difícil de acertar a cesta e ainda mais difícil de ser roubada. Mas, de todos os estágios, de mutação, que todas essas passaram, não podia ter lhe entregado de uma maneira pior. Bola de boliche. Pesada. Mal consigo segurar, e nunca joguei esse jogo. Perdida. Perdi. Completamente.
 Sua vez de tentar ganhar. E cuidado, para não cair no seu pé, a dor é grande, e difícil de se recuperar.

domingo, 20 de julho de 2014

Puft!

"Relaxa, é só um namoro"
Olha, eu queria mesmo que fosse. Fosse só um namoro. Só uma coisa talvez adolescente. Talvez pensar que amou sem ter amado. Sem muito o que se prender. Coisa que passa. Coisa que é aprendizado. Mas era além disso. Me consumiu até o último. Acho que nunca protegi tanto algo e alguém como fiz dessa vez. E provavelmente não farei de mais nenhuma. Vi que não há motivo de tanta proteção se o que menos vai ser protegido no fim, é você. Você sai todo cagado, esquecido no canto de uma sala escura. ( Me desculpem a expressão).
A gente ia morar junto. Ia fazer um ano juntos há pouco meses. Construía muitas coisas juntos e pensávamos em tudo que podíamos construir. Ajudava. Pensava em cada detalhe de nossa vida adulta juntos. Filhos. Era uma construção. Estava tudo em obra. Mas de repente você fez uma escolha. No momento em que eu mais acreditava. No momento em que eu já tinha dito todas as suas qualidades e sobre você para as pessoas. No momento em que meu amor, minha crença, tudo tava no apice. Você chegou e destruiu tudo que a gente construiu. Sem pena. Sem dó. Sem consentimento. Cadê o papel do divórcio? Cadê minha dignidade? Meu amor próprio? Foi destruído junto? E sabe o que é pior? No meio de tanta guerra, batalha e destruição, o amor prevalece. Eu te amo, você me ama, mas por alguma razão no mundo a gente não pode ficar junto. E nisso eu enlouqueço tentando entender o porquê.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Entendo seu medo de borboleta.





Minha barriga dói. Meu estômago, na verdade. Aquelas borboletas no estômago não estavam muito bem. Pareciam doentes. Mas não era uma doença fácil de curar. Não era uma gripe, uma virose ou qualquer dessas. Antes fosse, não seria tão doloroso para elas e pra mim. É aquele tipo de doença em que quando você descobre rápido ainda tem tempo de cura, sabe? Doença que despedaça. Destrói. Desmorona. Elas tremiam dentro de mim, por causa da febre muito alta. Sentia uma a uma desmaiando. Pedaços de suas asas caíam em meu estômago, de uma maneira pesada. Algumas não estavam doentes... Ainda. Estava uma confusão. Sentia algumas delas dançando, rindo e sobrevoando sobre meu estômago, mas eram poucas e não sentiam muita vontade de dançar vendo suas amigas se decompondo. Já estavam com pena de suas amigas. Ficavam doentes só de olhar.
Se as próprias borboletas não aguentavam essa situação, imagina eu? Tentava acreditar que as borboletas doentes podiam se curar, ou conviver uma vida tranquila com isso, mas não era o que acreditava no fundo ao sentir as dores das perdas. Queria acreditar que as borboletas que ainda tinham forças, alegria não iriam se abalar pela doença. Mas já estavam.
Agora entendo o quanto as borboletas podem ser assustadoras. Ainda mais quando param de respirar.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Desabafo de um contraditório.

Você me incomoda. Mas me incomoda muito. Sinto lá no fundo das minhas entranhas. Me incomoda sorrindo. Chorando. Positiva. Negativa. Não suporto mais ouvir meu celular tocar e ver o seu nome. Não atendo o telefone, pois não suporto a sua voz. Você grita, você se exalta, você surta. Você tentando me irrita, porque falha. Você falhando também me irrita. Destrói meu dia. Meu mês. Meu ano e minha vida. O bom vira ruim. Me sufoca com a sua saudade. A minha é mais longa, e nem sinto que posso respirar. Você bonita, você arrumada, cheirosa, não dá. Você pode se virar do avesso. E as brigas? Ah, é uma atrás da outra, e depois volta atrás. Como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu. Sua fraqueza ou sua pseudo-força. Não dá. Irrita. Muito mimimi. Muito não vou aguentar. Muito vou lutar agora que não adianta mais. Muitos mal entendidos. Aponto o dedo sim. 
Você me incomoda tanto que te amo. Você me incomoda tanto, mas eu te amo.  
Será? 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O que eu mais odeio.

Orgulho: 1 Conceito muito elevado que alguém faz de si mesmo; altivez, brio. 2 Amor-próprio exagerado. 3 Empáfia, bazófia, soberba, arrogante.
Olha, não sei se eu te conheço o suficiente pra dizer, e espero que eu não esteja errada, de verdade.  Mas você acha que é uma pessoa arrogante? Soberba? Você pode ter um conceito muito elevado de si mesmo, sim. Mas arrogante? Tsc, duvido muito. – De novo, espero muito que eu não esteja errada, porque de repente um conceito muito bem preso a minha mente vai desmoronar – o mais chato, é que o orgulho torna a pessoa arrogante, sem ela perceber. Ele afasta as pessoas, afasta coisas boas, o amor, o carinho. Afinal, por que alguém teria esses sentimentos se você usa o orgulho como escudo? Aliás, você precisa usar um escudo! Qualquer sentimento, resquício, você destrói. E sem perceber. Está lá só pensando no que as pessoas podem pensar de você. Como elas vão te olhar. Que um dia elas vão ter ver fraco, e isso é errado porque tem que ser forte todos os dias. Orgulho, egoísmo e arrogância, um leva o outro. E não quero que você seja levado. Não quero que machuque cada pessoa que tente te ajudar. Cada pessoa que tente amar. 
Enquanto tem uma pessoa querendo cuidar de você, querendo notícias, estar ao seu lado, você prefere se isolar ao demonstrar fraqueza. Percebe como soa errado? Todos têm fraquezas. Ninguém é sempre forte, alguns nem fortes são. É quase um fingimento pra si mesmo. Dói tanto assim se abrir? Dói tanto assim amar? Dói mais do que perder a pessoa que mais te ama, fazê-la chorar, passar nervoso, não conseguir dormir e ainda se sentir excluída por não parecer tão importante assim? Você sabe que eu não estou dizendo nenhuma mentira, e sabe também que esse negócio de perder não é de hoje.
 E argh, como eu odeio pessoa orgulhosa. Odeio mais que gente enrolada. Mais que gente possessiva. Gente que tenta se matar todos os dias com a droga de um cigarro na boca. Que muda e desmuda com uma  frequência que até se perde. Odeio mais que tudo. Mais que meu medo da morte. Odeio mais do que a droga do meu otimismo que nunca dá certo. Mais que meu nervosismo excessivo. Mais que atitudes sem pensar. Mais do que ficar um mês sem te ver. Eu .odeio. Seu. Orgulho. Ou qualquer orgulho que me afaste de você

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Desabafo de um apaixonado.

Sabe Marcela... Eu vou te contar uma coisa, talvez você não saiba ainda porque não percebeu, talvez você tenha percebido também. Mas vou dizer mesmo assim. Eu sempre estive acostumado a ser deixado de lado, por muitas pessoas, sou uma pessoa reservada até demais, isso você já sabe. Nunca se preocuparam comigo e nunca fiz questão de que se preocupassem. Eu ficava doente, e me cuidava sozinho, ninguém me dava amor, carinho, remédio e nem pena de mim tinham. Não queria pena, queria algum sentimento. Eu fui a minha vida inteira mal acostumado. Me preparei tanto pra crueldade da vida que esqueci que pode ter algo de bom, e quando tem, eu me afasto, acho estranho, resisto. Eu sei que é egoísmo, eu sei que machuca.

Você tem tentando ser algo de bom, e eu tentado resistir. Às vezes sou completamente idiota, admito. Estúpido talvez. Não é por mal, é meu escudo. Eu sei que não preciso ter um escudo pra você, que você quer ser meu escudo, mas não quero que sofra essa crueldade do mundo por mim, você não está acostumada, eu estou, e sempre estive. Não fique chateada, não chore, e não se sinta excluída na minha vida, muito menos sem importância, porque você é importante, você é o meu amor... Eu só quero te proteger, apesar de não querer ser protegido.
 Sempre fui orgulhoso, e você sabe disso também. Minhas idéias às vezes se batem, brigam, e discutem com si mesma porque simplesmente não faz sentido. Mas quem disse que esse tal de amor é pra ter algum sentido, alguma razão? Me entenda. Eu queria você aqui, agora, hoje, amanhã e depois. Mas não quero que me veja sem esse sorriso no rosto que você está tão acostumada. Quero que me veja bem, como seu herói, sua salvação. Pode ser bobeira, pode. Afinal, já te vi completamente doente em minha cama... E nem por isso deixou de ser minha salvação.
Eu te amo Marcela. Não tenha dúvidas disso...

domingo, 6 de julho de 2014

Decorei você.


Olha, não vou mentir, não vou dizer que a primeira vez que troquei palavras com você te imaginei como meu príncipe encantado, na real, queria distância de qualquer príncipe ou coisa do tipo. Um milagre eu ter te dado qualquer tipo de atenção. Não achei que iríamos nos beijar. Pensei que ia fugir. Eu quase fugi no meio do caminho pra te encontrar. Você tinha se atrasado um segundo e eu já estava revendo minhas escolhas, medo, talvez. Mas parecia tão que a gente nasceu e viveu o tempo todo um do lado do outro. Que vivi uma vida inteira e uma infância ao seu lado. Éramos melhores amigos e melhores amores no primeiro dia. Eu queria tanto te beijar. Mas queria que me beijasse primeiro. 
Não imaginei que chegaria no ponto em que chegou, depois que nos beijamos, achei que pararia por aí. Só mais um romance de um dia, de um verão qualquer. Mas você não se esqueceu de mim como eu imaginava. Me surpreendi. Continuamos esse romance por uma estação completa... Até começar a mudar de estação. O que já não era só um simples romance. Passara disso. Sempre dizia para fugir, porque se fosse você eu, fugiria. Te desafiava em ficar comigo, porque nenhum aceitara algo tão complicado quanto isso.

Já sabia seu nome completo. Dois nomes e dois sobrenomes... Dizia que te chamaria pelo segundo nome, mas nunca reinou.Seu signo, o mesmo que o meu, diga-se de passagem. Seu aniversário de cor. Sua cor favorita, o azul. Suas alergias. Seus medos. Seu jeito e trejeitos. Sabia o número da sua casa, que nem os amigos mais próximos tinham conhecimento. Um dia descobri seu endereço, por pura manha da internet, nunca vou me esquecer. Até o seu CEP eu sei! Eu teria medo de me envolver com uma pessoa que sabe tanto sobre mim, se eu tivesse no seu lugar eu fugia. Achei todas suas redes sociais antigas. Sou um baú de você. Limpo a poeira e tento cada dia mais entender o que eu tanto amo. Nunca imaginei um dia, dizer que te amo. Nunca imaginei me envolver como me envolvi. Nunca me imaginei com tanto medo de desistir. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Só um talismã.

Ele nunca, ou quase nunca tinha uma pontinha de ciúmes sequer. Era bom. Era ruim. Era bom porque não havia discussões por coisas completamente desnecessárias e bestas. Era ruim porque às vezes parecia que simplesmente não havia sentimento algum, já que até os "eu te amo's" era contados e um número bem pequeno. Eram tempos em que aquele casal tinha acabado de sair de uma crise, de enfrentar uma. E ainda se sentiam estranhos com muitas atitudes alheias.
Rose tentava  manter todas suas qualidades mais preciosas, apesar de dar uns tropeços sem perceber vez ou outra. Sua ternura praticava um cabo de guerra com seu nervoso frequentemente, e a ternura usava todas suas forças para ganhar, e quando perdia, era um dos tropeços da vez ou outra. Manteve uma paciência incrível, pois dessa nunca teve. A garota mais impaciente, ela. Mas para o seu bem, o bem dele, o tal "nosso", "nós" e o "eu e você"... Se comportou com um mínimo que não existia antes. Encucava com algumas coisas por pura insegurança pós-crise. Uma versão nova da velha Rose. Até chegar no ponto de fazer sua nova tatuagem.
Precisava acreditar em algo, e estava adiando há uns seis meses qualquer indício disso. Já não havia pessoa, palavra, imagem, forma, voz, música, risada, sonho ou pesadelo que fizesse com que ela acreditasse em algo. Fosse algo bom, fosse algo ruim, possível ou impossível. Queria poder acreditar em tudo. Com chances ou sem . Ter uma chance. E aí colocou a coragem como uma qualidade maior, colocou suas convicções no alto e foi fazer essa tatuagem que significava tanto para ela. Não seria todos que entenderiam mil e uma coisas. Mas significava. Deu uma luz tão grande, um caminho, talvez um espírito Pollyanna dentro daquele ser.
O problema para ele, Erick, nisso tudo foi ser deixado de fora, quando não tinha como passar os limites de sua saúde já prejudicada. Ela resolveu fazer, sem avisá-lo, convidando um amigo de longa data que dava aquela ponta de ciumes em Erick. Ele não sabia que era uma surpresa. Ele não sabia que ela pensara nele a cada segundo. Não parava de falar sobre seu amor, sobre a falta, sobre ele e ele.  Como ninguém a mandou ficar quieta com tanto doce e mel ?  De fato, ela o deixou de dentro da situação o tempo todo, tudo se baseava em acreditar. E agora podia acreditar com todas suas forças, nela mesma, nele e no amor, que aparentava meio vazio desde perder parte de suas forças na crise. Era quase como uma simpatia, e deu certo.

O seu ciúmes explodiu, era tanto tempo sem sentir nada, ou parecer não sentir, que a parte de Rose que achava ruim ele não senti-lo, passou a achar maravilhoso não sentir. Não achara bonito, fofo e nem lindo ter algum sentimento quando viesse junto de joguinhos de vingança, olho por olho e dente por dente. Quando só tinha feito aquilo por um nós mais proveitoso. Não estava sendo traído por ela levar o amigo invés de você. Estava sendo honrado sem saber. E doeu.

"The only way to achieve the impossible, is to believe it's possible"
 - Lewis Carroll 
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