Numa estrada, na rua, na calçada, completamente deserta, me lembrando daqueles filmes de terror, ou fortes pesadelos. Parece que minha visão ficou cinza, não vejo cores, a não ser preto no branco, me senti fria por um momento, como se a alegria tivesse sido sugada, enquanto estou a caminho da minha casa
Com o pé quebrado, dificuldade de andar, solitária, tudo deserto, ouvia minha própria respiração, meu pensamento alto, e meus passos, porém, só consegui me ouvir, ao redor era mudo. E nesse momento preferi não omitir nenhum som com a minha boca.
Senti cheiros familiares, soavam como... Perfumes. Perfumes do meu amor, mas meu amor, não estava ali, ou, estava? Não tinha conhecimento, então, resolvi ligar para ele, e nada, nem caixa postal, estava muito estranho, mas o certo era continuar, atravessei a rua sem olhar para os lados pelo fato de tudo estar deserto, e no exato momento que coloco os pés na rua, eu caio, e fecho os olhos lentamente, mas, antes, vi uma luz forte.
Acordo na manhã seguinte, ainda lá, com todos a minha volta, e a volta da minha outra perna machucada, me viro, e ouço um choro familiar, passo a mão nos meus olhos, os esfrego bem, e os abro e enxergo, meu amor, chorando - Mas meu machucado nem foi tão grave.

Vejo policiais a falar com ele, e ele mostra a carteira de motorista! Matei a charada, a luz, a perna machucada... Foi ele, culpado!


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