terça-feira, 16 de outubro de 2012

Como marido e mulher.

Não eram um casal, não mais. Foram num passado breve. Desde o dia em que se conheceram parecia que se conheciam há anos. Ela tinha medo de se apaixonar, medo de sentir qualquer sensações que viesse da paixão, como ciúmes, carência. Por mais que tivesse escondia no lugar mais profundo do seu coração. Ele também tinha, mas ela tirava todos os medos do seu doce coração. Dizia que ela era diferente de todas as garotas e no dia do seu aniversário se declarou para ela. Ela ficou sem reação.
Para ser um casal romântico, demorou cerca de seis meses. Antes disso já se tratavam como namorados sem perceber, pelo menos pelo lado dele. Com ciúmes e satisfações que de certa maneira a irritava. Pois lembrava que ela tinha esses mesmos sentimentos escondidos dentro dela. Não haviam beijos e nem atos de um namoro em si. Somente abraços, apoios e muitas brigas. Sim, naquele momento de amizade já tinha brigas.
E quando realmente viraram um casal, eram encontros a noite após o seu trabalho. Ele a esperando do lado do metrô com uma flor... E acham que é um rosa?
Não, não, era um girassol, porque ele era um cara inovador. Os olhos da menina brilhavam, junto dos brilhos de prédios, torres e carros daquela avenida de São Paulo. Riam, conversavam, ele a mimava muito, e no fundo ela gostava. Era uma menina teimosa, ele queria ficar do lado esquerdo da calçada, pois era o lado perto da rua e dizia "O homem tem que proteger a mulher", mas ela era um bicho teimoso e andava lá pra frente, o passava e ficava do lado esquerdo, dizendo " Não tenho medo de nada disso, ando sozinha por aqui todos os dias" ou "Eu sou o homem da relação" dando aquela risada gostosa.
Sem contar os vários filmes de criança que eles assistiam no cinema. Pois ela repetia várias e várias vezes que sua alma era de criança. E ela fazia questão de rir em todos, em abraçá-lo como se fosse um bichinho de pelúcia, abraçando pra nunca mais soltar. E no meio de abraços, beijos carinhosos. E no fim do filme, sempre chorava pois achava muito emocionante. Saía da sessão de cinema rindo e o abraçando, e sempre tendo que correr pra casa. Pois já era relativamente tarde.
   Quem vê pensa que eram só rosas, em que os espinhos foram cortados. Mas haviam vários, não fazia questão de lembrá-los. Aquele casal brigava que nem marido e mulher. Brigava por tudo, chorava por tudo. Como se o mundo fosse acabar amanhã. Brigas sem pensar, atos sem pensar. Futuro incerto. Discutiam, quebravam a cara. Depois de cada momento bonito, havia algo ruim pra acabar com tudo aquilo. Geralmente culpa dela, se escondendo dentro de si mesma. E agora eram só amigos e era tarde demais.

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