Ele nunca, ou quase nunca tinha uma pontinha de ciúmes sequer. Era bom. Era ruim. Era bom porque não havia discussões por coisas completamente desnecessárias e bestas. Era ruim porque às vezes parecia que simplesmente não havia sentimento algum, já que até os "eu te amo's" era contados e um número bem pequeno. Eram tempos em que aquele casal tinha acabado de sair de uma crise, de enfrentar uma. E ainda se sentiam estranhos com muitas atitudes alheias.
Rose tentava  manter todas suas qualidades mais preciosas, apesar de dar uns tropeços sem perceber vez ou outra. Sua ternura praticava um cabo de guerra com seu nervoso frequentemente, e a ternura usava todas suas forças para ganhar, e quando perdia, era um dos tropeços da vez ou outra. Manteve uma paciência incrível, pois dessa nunca teve. A garota mais impaciente, ela. Mas para o seu bem, o bem dele, o tal "nosso", "nós" e o "eu e você"... Se comportou com um mínimo que não existia antes. Encucava com algumas coisas por pura insegurança pós-crise. Uma versão nova da velha Rose. Até chegar no ponto de fazer sua nova tatuagem.
Precisava acreditar em algo, e estava adiando há uns seis meses qualquer indício disso. Já não havia pessoa, palavra, imagem, forma, voz, música, risada, sonho ou pesadelo que fizesse com que ela acreditasse em algo. Fosse algo bom, fosse algo ruim, possível ou impossível. Queria poder acreditar em tudo. Com chances ou sem . Ter uma chance. E aí colocou a coragem como uma qualidade maior, colocou suas convicções no alto e foi fazer essa tatuagem que significava tanto para ela. Não seria todos que entenderiam mil e uma coisas. Mas significava. Deu uma luz tão grande, um caminho, talvez um espírito Pollyanna dentro daquele ser.
O problema para ele, Erick, nisso tudo foi ser deixado de fora, quando não tinha como passar os limites de sua saúde já prejudicada. Ela resolveu fazer, sem avisá-lo, convidando um amigo de longa data que dava aquela ponta de ciumes em Erick. Ele não sabia que era uma surpresa. Ele não sabia que ela pensara nele a cada segundo. Não parava de falar sobre seu amor, sobre a falta, sobre ele e ele.  Como ninguém a mandou ficar quieta com tanto doce e mel ?  De fato, ela o deixou de dentro da situação o tempo todo, tudo se baseava em acreditar. E agora podia acreditar com todas suas forças, nela mesma, nele e no amor, que aparentava meio vazio desde perder parte de suas forças na crise. Era quase como uma simpatia, e deu certo.

O seu ciúmes explodiu, era tanto tempo sem sentir nada, ou parecer não sentir, que a parte de Rose que achava ruim ele não senti-lo, passou a achar maravilhoso não sentir. Não achara bonito, fofo e nem lindo ter algum sentimento quando viesse junto de joguinhos de vingança, olho por olho e dente por dente. Quando só tinha feito aquilo por um nós mais proveitoso. Não estava sendo traído por ela levar o amigo invés de você. Estava sendo honrado sem saber. E doeu.

"The only way to achieve the impossible, is to believe it's possible"
 - Lewis Carroll 


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