Era uma migalha, tão pequena a ponto de ser invisível. Porém, fazia questão de aparecer somente para Mônica. Era uma criança sombria, com risos irônicos e discussões de pseudo-adultos. O coração dela doía só de avistar seus olhos e sorriso falso.
"Ah, mas você já foi criança", de fato, mas não esse tipo pseudo-adulta sombria. Era uma criança normal e não tinha tanta bizarrice e ódio por flechas jogadas em você. Aquela criança era mal educada, se achava a sabida de tudo e dizia coisas impróprias para a idade.
Mônica tinha vontade de fazer coisas horríveis que pareciam boas para ela. Imaginava flechas, facas, armas, socos e chutes de tanto ódio e raiva dentro de si. Não vi a hora de se livras daquilo e ter liberdade e paz.
Queriam estar um no braço do outro, abraçados e rindo naquela noite maravilhosa e fria. Embaixo das cobertas, usando o calor humano, o sentimento que sentiam pra se esquentar. Era complicado, era difícil. Tinham que saber superar a situação juntos, serem fortes, ainda mais com a saudade e a vontade de pegar uma bicicleta e sair com ela para ver então um ao outro. Ele dizia coisas como "As meninas daqui não chegam nem aos seus pés, você é linda, linda mesmo, demais", "Olha como a vida é injusta comigo, enquanto têm essas meninas aqui, eu tenho a menina mais linda em outro estado, complicado". E ela respondia com uma risada, super envergonhada, vermelha de vergonha, coisas como "Quem é a menina mais bonita?" talvez só pra ouvi-lo dizer "É você".
Rafael chegava em casa de suas saídas com os amigos, ao qual às vezes, chegava um pouco alterado por causa do álcool.


