As pessoas dizem que você tem que acreditar na sua melhora, em você, se amar. Mas está tão difícil acreditar porque cada dia é um sentimento ruim. Sentimentos que os remédios não estão sendo capazes de curar. O que será capaz? Vou passar a vida tomando remédio para ter uma melhora de só 10%? Eu sei que depende de mim, mas minha vida tem virado de cabeça pra baixo todos os dias. Ela já deu infinitas voltas de tantas vezes.
Acredito que talvez eu esteja destinada a viver assim e não há psicologo ou psiquiatra que me ajude. Eu só queria me curar. Eu achei que o problema era o ambiente, mas o problema sou eu. Uma menina controladora que não tem controlo dela mesma, nem dos seus atos e nem dos seus sentimentos.
Será que eu não sou um perigo pra sociedade? Ou a sociedade um perigo pra mim? Não sei como lidar com tantas frustrações e tristeza, e principalmente o medo de pensar o que será de mim no futuro?
Ela está tão acostumada a não poder contar com as pessoas, que quando alguém te dá algo em que confiar, contar, ter esperança, ela se agarra. Pobre menina. Deveria continuar no costume.
Se agarrou na esperança de contar com uma pessoa, ela falhou. A partir daí já desanda. Depois houve pedidos de desculpas e promessas que dessa vez seria diferente e que eu podia contar.
Ah, promessas... Clara já desencanou, odeia promessas, odeia quebra de promessas, odeia ver elas se quebrando bem na sua cara e os cacos a acertando, é, machuca. Já estava decepcionada, principalmente com ela mesma.
Não satisfeita tentou contar com outras pessoas, que a decepcionaram também. E se não a decepcionaram, irão decepcionar. Já sabia, era de costume. Mas quis acreditar mais uma vez e o baque foi ainda maior. Dessa vez, a pessoa não podia e nem iria perder tempo da vida dela por Clara. E o "desculpa" no final da frase, que não queria dizer desculpa nem arrependimento.
É difícil ter que viver a vida sozinha, quando você faria pelos outros o que eles não fariam por você.
Por que sempre me iludo achando que vou ter um dia bom? Essa estúpida onda de otimismo que aparece acaba ainda mais comigo. Durmo chorando, acordo chorando. Durmo com raiva, acordo com raiva. Durmo com a cabeça cheia de problemas e acordo com mais ainda. Uso a palavra "durmo", mas se dormi dois dias em um mês é muito.
Tenho mania em me agarrar, colar com super bonder nas pequenas coisas que me fazem bem. Grande erro de uma garota estúpida. Como a súbita vontade de ser feliz ou estar feliz, que dura dois segundos e me ponho a chorar, suar de nervoso, gritar e xingar.
Eu só queria ter um dia inteiro, 24 horas de paz e felicidade, sem interrupções. Pra ser sincera, acho que nunca tive isso na minha vida, e não sei é possível ter ou sequer existe.
Já morri há muito tempo. Só sobrou meu corpo vivendo (lê-se sobrevivendo) no automático. As pessoas dizem que vou acabar com suas vidas se me matar, mas a vida já fez isso por mim. Já estou morta e as pessoas querem se confortar em ver apenas meu corpo vivo. Do que adianta se mente e a alma já se foram?
As vezes me esforço para ressuscita-las, e me arrependo mais ainda. Uma nova morte, mais sofrida e mais dolorosa. Vocês não percebem que já não faço bem a ninguém ao meu redor por que já morri? Já acabei com suas vidas, pois estou morta. E não queiram se safar dessa culpa , pois só morri por causa do esforço do dia-a-dia de cada um de vocês para matar cada pedaço de mim, sem sobrar resquícios.
E quando percebem que a única coisa com a qual se agarram ( o corpo) está a ser perdido, se desesperam. Ó, quanta hipocrisia.
Passei a minha vida inteira ouvindo coisa ruins sobre um parente, coisas como ele ser um merda, um inútil que não sai do lugar, um louco, uma pessoa em que não se pode confiar entre outras histórias terríveis e cabulosas. Tive raiva, ódio dessa pessoa. E de repente, minha mãe me transforma nessa pessoa, diz que sou todas essas coisas ruins. E acha que não me machuca.
Ela enxerga que estou nervosa e num momento ruim, e os potencializa. Choro todo dia, ela não pergunta se está tudo bem ou o que aconteceu. Só o típico "para de drama", pois não entende o drama dos outros.
É dissimulada e falsa na frente dos outros, faz com que eles acreditem que ela é essa pessoa boa fantasiada. Diz que faz e fez tudo pelos filhos, só esqueceu do psicológico. Usa até de frases que não acredita como "Você é forte, guerreira", "Você vai conseguir se levantar" na frente dos outros. Nunca sequer disse isso pra mim. E mal sabe ela que o que eu tenho que lutar todos os dias, ser forte e guerreira é ela.
Hoje na terapia um dos tópicos foi "promessas". Sempre tive expectativa e acreditava nas pessoas, e sempre saía decepcionada. Era uma pessoa em especial na minha vida, que por causa disso virei as costas para ele. Agora a história se repete e podemos usar a frase "errar uma vez é humano, duas é burrice". Assim que me sinto, burra, trouxa. Tenho que começar a me amar e não depender dos outros, ter autonomia.
Tenho me matado todos os dias com os meus compromissos para fazer parte das suas (falsas) promessas. Promessas que sempre são quebradas. Não as faça mais. Não marque nada comigo. Não me faça ter a gastrite atacada, crise nervosa e crise de ansiedade. Não diga que quer me ver, quando não quer. Não envolva outras pessoas que gostem de você e também vão se magoar.
Tenha empatia, se coloque no lugar do outro.
Estar neutra durou tão pouco igual as partes felizes da minha vida.





